segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Gaucho e sua origem.

Gaúcho é uma denominação dada às pessoas ligadas à atividade pecuária em regiões de ocorrência de campos naturais do Vale do Rio da Prata, entre os quais o bioma denominado pampa, descendente mestiço de espanhóis, indígenas, portugueses e africanos. As peculiares características do seu modo de vida pastoril teriam forjado uma cultura própria, derivada do amálgama da cultura ibérica e indígena, adaptada ao trabalho executado nas propriedades denominadas estâncias. É assim conhecido no Brasil, enquanto que em países de língua espanhola, como Argentina e Uruguai é chamado de gaucho.
O termo também é correntemente usado como gentílico para denominar os habitantes do estado brasileiro do Rio Grande do Sul. Além disso, serve para denominar um tipo folclórico e um conjunto de tradições codificado e difundido por um movimento cultural agrupado em agremiações, criadas com esse fim e conhecidas como CTGs.


Origem


Um estudo genético realizado pela FAPESP revelou que os gaúchos, assim como a maioria dos brasileiros, são descendentes de uma mistura de europeus, índios e africanos, mas com algumas peculiaridades. O estudo apontou que os ancestrais europeus dos gaúchos eram principalmente espanhóis, e não portugueses. Isto porque a região foi por muito tempo disputada entre Portugal e Espanha, e só foi transferida da Espanha para o Brasil em 1750. O estudo também revelou um alto grau de ancestralidade indígena nos gaúchos pelo lado materno (52% de linhagens ameríndians), maior do que dos brasileiros em geral. O estudo também detectou 11% de linhagens africanas pelo lado materno. Desta forma, os gaúchos são fruto sobretudo da miscigenação entre homens ibéricos, principalmente espanhóis, com mulheres indígenas e, em menor medida, com africanas.


Musica.


Existem vários ritmos que fazem parte da folclore riograndense, mas a maioria deles são variações de danças de salão centro-européias populares no século XIX. Esses ritmos, derivados da valsa, do xote, da polca e da mazurca, foram adaptados como vaneira, vaneirão, chamamé, milonga, rancheira, xote, polonaise e chimarrita, entre outras.
O único ritmo riograndense é o bugio, criado pelo gaiteiro Wenceslau da Silva Gomes, o Neneca Gomes, em 1928, na região de São Francisco de Assis. Inspirado no ronco dos bugios, macacos que habitam as matas do Sul da América, o ritmo foi banido por ser considerado obsceno, mas foi mantido em São Francisco de Paula, onde hoje se realiza um festival "nativista" conhecido como "O Ronco do Bugio".
A partir de 1970, com a criação da Califórnia da Canção Nativa em Uruguaiana, começaram a surgir os festivais, que serviram de incentivo para músicos e compositores lançarem novos estilos, popularmente chamados de "música nativista". Essa música é formada por ritmos pré-existentes, especialmente a milonga e o chamamé, porém com canções mais elaboradas e com letras quase sempre dedicadas ao Rio Grande do Sul.
Também é comum neste estado, entre os descendentes de alemães, a Música folclórica alemã, em festivais como a Oktoberfest de Santa Cruz do Sul e a Oktoberfest de Igrejinha




História


O termo originou-se no Uruguai em 1780 em um documento de Montevideu "que el expresado Díaz no consentirá en dicha estancia que se abriguen ningunos contrabandistas, bagamundos u ociosos que aqui se conocen por Gauchos." (8 de agosto de 1780). Guanches ou Guanchos gentílico dos habitantes das Ilhas Canarias na fundacao de Montevideu. Gaúcho foi o Guancho fugido de Montevideu. Quando o Rei da Espanha mandou casais de agricultores das ilhas Canárias povoarem a recém-fundada Montevidéu, eles transplantaram a palavra pela qual identificavam os habitantes autóctones das ilhas: guanches, ou guanchos. Foi esta a origem da palavra gaúcho, com pequena distorção de pronúncia: guanches ou guanchos. Próximo ao Río Cebollatí no Uruguai, foi formada uma espécie de republiquinha fortificada gaúcha de contrabandistas canarios como uma forma de defesa das tropas de Portugal e Espanha. . m Rocha e toda a área da Lagoa Mirim e Bagé (agora no Brasil), onde os gaúchos são nascidos. Os Gaúchos (fugidos) da fronteira Portugal - Espanha nao eram guanchos, eles eram Gaúchos descrição de pessoas de hábitos nômades, ciganos, moradores em barracas ou tendas, brancos pobres, de miscigenação moura, vinda da Espanha - fugidos que viraram índios ou índios aculturados pelas missões que não possuíam terras e vendiam sua força de trabalho a criadores de gado nas regiões de ocorrência de campos naturais do vale da Lagoa Mirim, entre os quais o pampa, planície do vale do Rio da Prata e com pequena ocorrência no oeste do estado do Rio Grande do Sul, limitada, a oeste, pela cordilheira dos Andes.
O gentílico "gaúcho" foi aplicado aos habitantes da Província do Rio Grande do Sul na época do Império Brasileiro por motivos políticos, para identificá-los como beligerantes até o final da Guerra Farroupilha, sendo adotado posteriormente pelos próprios habitantes por ocasião da pacificação de Caxias, quando incorporou muitos soldados gaúchos ao Exército ao final do Confronto, sendo Osório um gaúcho que participou da Guerra do Paraguai e é patrono da arma de Cavalaria do Exército Brasileiro, quando valores culturais tomaram outro significado patriótico, os cavaleiros mouros se notabilizaram na Guerra ou Confronto com o Paraguai. Também importante para adoção dessa imagem mítica para representação do Estado do Rio Grande do Sul é a influência do nativismo argentino, que no final do século XIX expressa a construção de um mito fundador da cultura da região.
Na Argentina, o poema épico Martín Fierro, de José Hernández escrita em Santana do Livramento R.S. a patria gaúcha onde ele aprende a palavra Gaúcha do uruguaio Lussich (livro deo treis Gaúchos Orientales) e dos próprios riograndeses, exemplifica a utilização do elemento gaúcho como o símbolo da tradição nacional da Argentina e Uruguaia, em contradição com a opressão simbolizada pela europeização. Martín Fierro, o herói do poema, é um "gaúcho" recrutado a força pelo exército argentino, abandona seu posto e se torna um fugitivo caçado.
Os gaúchos apreciam mostrar-se como grandes cavaleiros e o cavalo do gaúcho, especialmente o cavalo crioulo, "era tudo o que ele possuía neste mundo". Durante as guerras do século XIX, que ocorreram na região, atualmente conhecida como Cone Sul, as cavalarias de todos os países eram compostas quase que inteiramente por gaúchos.

Encilhas,aperos ou arreios.

Para o gaúcho, o cavalo é o "animal", por excelência, usado quase que exclusivamente para montaria. Já o índio rio-grandense, vencido o temor que o animal desconhecido lhe causava, cavalgava altivamente pelas coxilhas, montando "em pêlo" ou, mais tarde, como mostram desenhos do pintor Debret, num tipo de sela primitivo: num "xergão" sobre o qual havia uma "carona", presa por uma espécie de "cincha", governando o cavalo por uma corda que lhe era amarrada no queixo.

Hoje os arreios, isto é, as peças necessárias para encilhar o cavalo, os chamados "aperos" ou "preparos" são bem mais complexos. Distinguem-se os aperos da cabeça e os de montaria.

Dos aperos da cabeça: Todos de couro trançado ou chato, fazem parte a "cabeçada" que sustenta o freio na boca do cavalo, passando por trás das orelhas. Distingue-se nela a "testeira" a "alça de medida" e os "meios" onde vai o freio.

O "buçal" é uma peça complexa que vai na cabeça e no pescoço do cavalo. Além da cabeçada, há nele a "pescoceira" e a " focinheira", ligadas por duas argolas, e a "sedeira". À argola inferior prende-se o "cabresto". No freio apresilham-se as "canas da rédea" para governar o cavalo. São dois meios, trançados finos e chatos, com três argolas em cada cana, tendo cada cana uma "presilha".

Os aperos de montaria: Seguidos na ordem em que são colocados no lombo do cavalo são: o "xergão" ou "baixeiro" , um suadouro que vai diretamente no lombo do cavalo. Sobre esse vai a "carona", peça lisa de couro em que se assenta a "sela" para montar. Existem vários tipos de selas no RGS, preferidos nesta ou noutra região do estado. Muito usado em todo estado é o "lombilho"Neste tipo de sela, distinguem-se: "cabeça", "rabicheira", "abas", "travessão" com a argola e os "bastos". Como sela para mulheres montarem, existe o "selim de gancho" , em que ela pode montar até de vestido comprido, sentada de lado.

A sela de qualquer dos tipos citados e de outros ainda, é segura pela " cincha" faixa de couro cuja parte central, que fica em cima da sela é o "travessão"provido de argolas em que se liga, pelo "látego" a "barrigueira", a parte da cincha que passa pela barriga do cavalo, sendo apertada no lado oposto pelo "sobrelátego". Sobre a sela vai o "pelego", pele de carneiro com a là que serve de forro ao assento, coberto pela "badana" pele macia, às vezes lavrada, segura pela sobrecincha.

Presos à sela ficam os "loros" correias duplas que sustentam os "estribos" em que o cavaleiro firma o pé. Ainda existe a "peiteira" ou "peitoral", peça de couro que cinge o peito do cavalo; compõe-se de dois meios presos à sela e de uma faixa que se fixa na barrigueira. O "rabicho" assegura, junto com a peiteira, que a sela não se possa deslocar, nem para frente, nem para trás.

Na parte posterior do lombilho estão presas duas pequenas tiras de lonca, os "tentos", com que se ata o laço enrodilhado.

Em tempos idos, as grandes estâncias tinham além dos costumeiros cavalos de serviço, uma TROPILHA de estimação, mantida em invernadas separadas.

Formada por baguais mansos (ou em fase de doma), ou por cavalos mansos. Eram formadas apenas por cavalos, pois não se encilhavam éguas (geralmente xucras e/ou éguas madrinhas). Todos eram do mesmo pelo: tordilho, gateado ou mouro. O número de cavalos numa tropilha variava de 20 a 50 cavalos.

QUADRILHA: dava-se o nome de quadrilha, a um lote de 6 a 12 animais, cavalos ou éguas mansas, de qualquer pelo, que geralmente pertenciam a um gaúcho pobre. Era formada por animais enquadrilhados, sempre juntos, mesmo em campo aberto. Era orgulho e meio de ganhar a vida de quem a possuia.

Oque é cavalo crioulo?


Dados Técnicos

Crioulo
Origem: América do Sul

Altura: Mede de 1,35m a 1m52m

Caráter: É um animal compacto, robusto e inteligente. Apresenta a cabeca curta e larga, afilando-se em forma de cone, focinho saliente, face reta com olhos expressivos afastados lateralmente, orelhas curtas empinadas. O pescoço é musculoso, inserido em espáduas fortes e profundas, com peito largo. O dorso é curto, com costelas bastante elásticas e lombo bastante poderoso. A garupa é arredondada e musculosa. As pernas são curtas, com ossatura excedente, quartelas curtas, com patas pequenas e duras.

A América do Sul produz uma das raças de cavalo mais vigorosas do mundo - o pequeno Crioulo, montaria dos gaúchos das grandes criações que se estendem na parte central do continente. Este parece, com pequenas variações na estatura e no requinte do tipo, como o Crioulo da Argentina e do Uruguai, o Crioulo do Brasil, os tipos Costeño e Morochuco do Peru, o Caballo Chileno do Chile e o Llanero da Venezuela. Embora alguns destes tipos sejam atualmente bastante diferenciados do tipo Crioulo básico, todos descendem da mesma criação espanhola importada pelos conquistadores do sécu8lo XVI. Os requintes da raça são devidos às variações de temperatura e da qualidade das pastagens, por serem criados nas colinas ou nas planícies e pela criação seletiva visando a qualidades particulares de acordo com as exigências locais.
O Sangue básico vem do Andaluz, do Berbere e do Árabe. Seu porte pequeno e seu vigor são devidos a uma rigorosa seleção natural de aproximadamente 300 anos, em cujo período rebanhos de Crioulos se tornaram selvagens ou semi-selvagens nas planícies. Muitos afirmam que a curiosa distribuição de cores ruiva e do tipo baio, exclusiva do Crioulo, evoluiu como uma colocaração que serve de proteção natural.
Especialmente na Argentina, o povo tem grande orgulho da resistência do Crioulo, e são mantidos testes de resistência para selecionar os melhores para a procriação. Uma prova anual é realizada pelos criadores, na qual os cavalos devem cobrir uma distância de 752 km em quinze dias, carregando uma carga de 110 kg, sem nada para comer ou beber, exceto aqueles alimentos que eles mesmos possam encontrar pelo caminho durante o descanso.
PADRÃO DA RAÇA

1. CABEÇA

PERFIL: sub-convexo; retilíneo; sub-côncavo
COMPRIMENTO: curta
GANACHA: delineada; forte e moderadamente afastada
LARGURA:
Fronte – larga e bem desenvolvida
Chanfro - largo e curto
ORELHAS: afastadas; curtas; bem inseridas; com mobilidade
OLHOS: proeminência; vivacidade

2. PESCOÇO
INSERÇÕES:
Cabeça – limpa e resistente;
Tórax – rigorosamente apoiada no peito
BORDO SUPERIOR: sub-convexo; crinas grossas e abundantes
BORDO INFERIOR: retilíneo
LARGURA: amplo; forte; musculoso
COMPRIMENTO: mediano

3. LINHA SUPERIOR

CERNELHA: destaque moderado; musculosa
DORSO: mediano; musculoso; bem unido a cernelha e ao lombo
LOMBO: musculoso; unindo suavemente o dorso e a garupa
GARUPA: moderadamente larga e comprida; levemente inclinada proporcionando boa descida muscular para os posteriores
COLA: com a inserção dando uma perfeita continuidade à linha superior da garupa. Sabugo curto e grosso, com crinas grossas e abundantes.

4. TÓRAX, VENTRE E FLANCO

PEITO: amplo; largo; profundo; encontros bem separados e musculosos
PALETAS: inclinação mediana; comprimento mediano; musculosas, caracterizando encontros bem separados
COSTELAS: arqueadas e profundas
VENTRE: sub–convexo, com razoável volume; perfeitamente unido ao tórax e flanco
FLANCO: curto; cheio; unindo harmonicamente o ventre ao posterior

5. MEMBROS ANTERIORES E POSTERIORES

BRAÇOS E COTOVELOS: musculosos; braços inclinados; com cotovelos afastados do tórax
ANTEBRAÇOS: musculosos; aprumados; afinando-se até o joelho
JOELHOS: fortes, nítidos, no eixo
CANELAS: curtas, com tendões fortes e definidos; aprumadas
BOLETOS: secos, arredondados, fortes e nítidos; machinhos na parte posterior
QUARTELAS: de comprimento médio; fortes, espessas, nítidas e medianamente inclinadas
CASCOS: de volume proporcional ao corpo, duros, densos, sólidos, aprumados e medianamente inclinados. De preferência, pretos
QUARTOS: musculosos, com nádegas profundas. Pernas moderadamente amplas e, musculosas interna e externamente
GARRÕES: amplos, fortes, secos. Paralelos ao plano mediano do corpo, com ângulo anterior medianamente aberto
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